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Diario de viagem
A VIAGEM

DIÁRIO DE VIAGEM

by   Nelson Geromel e Veronique Richard

O retorno

06/05/76 – Quinta-feira: Foz do Jutaí – AM
Às três e meia chegou o barco “Capitão Pinheiro” de Letícia com destino a Manaus. Como não tinha luz na cidade, estava muito escuro. Fui até a Delegacia chamar o Sargento João Bosco Biriba de Moraes, pois ele viajaria comigo a Manaus. Por volta das quatro horas da manhã saímos de Jutaí. Consegui um lugar para atar minha rede na parte de cima do barco. As seis horas acordei e fui tomar café; vi uma garota que pensei conhecer, talvez a americana que estava no hotel Guacalá, em Bogotá. Depois do café ela veio para perto de mim e começamos a conversar. Ela disse que era da Suíça e seu nome Veronique Richard. Conversamos sobre a viagem e também lhe falei o que estava sucedendo comigo. Conheci também um baiano, que não tinha cara de baiano, José, e um casal de Austríacos, Helmut e Silvia. A noite depois do jantar, eu e Veronique tomamos cerveja e ficamos conversando. Depois fomos dormir e não vimos a cidade de Tefé. Lá desembarcou um Japonês que estava no barco.
07/05/76 – Sexta-feira
Continuamos viajando, descendo o rio Solimões. Eu e Veronique estivemos o dia todo conversando e fumando. À tarde ela disse que gostaria que eu viajasse com ela. Expliquei que não poderia devido à minha situação econômica e também que estava com vontade de voltar ao Rio de Janeiro. Então ela resolveu escrever minha história. Tomamos algumas cervejas e à noite começamos a namorar. Apesar de eu ter dito que não ficaria em Manaus, assim mesmo ela ficou comigo.
08/05/76 – Sábado: Manaus – AM
Chegamos mais ou menos ás oito da manhã em Manaus. O barco teve problemas para atracar, pois o porto estava lotado. Foi aí que li nos jornais de Manaus as notícias sobre o caso de Jutaí. Decidi ficar em Manaus com Veronique. Fomos para a Hospedaria Familiar Pingüim, na rua Joaquim Nabuco. O José e o casal de Austríacos também ficaram no mesmo hotel. Saímos pela manhã, fomos ao correio, passeamos pelo Teatro, paramos no bar e restaurante Pingüim para tomar cerveja. Veronique e José ficaram no bar e eu fui até a rua Silva Ramos, na casa do Sr. Francisco Moura, prefeito de Jutaí. Ele não estava, mas falei com Rosilene (filha dele), deixei meu endereço e voltei para o bar, e depois para o hotel. Tomamos banho e comecei a escrever a história da viagem para Veronique. Enquanto escrevia, chegou o Sargento para me levar ao Quartel da PM; pois o comandante queria falar comigo. Veronique me acompanhou ao quartel e depois nos levaram a Policia Federal. Lá não havia expediente e pediram para voltar na Segunda-feira para falar com o Dr. Jaber. Eu e Veronique passeamos à tarde e a noite voltamos para o hotel. Ficamos conversando com José, Helmut e Silva até as 10hs e30min e depois fomos dormir.  
09/05/76 - Domingo
Os jornais A crítica e a Notícia escreveram mais algumas asneiras a meu respeito, mostrando a qualidade de informação e reportagem do jornal brasileiro. Tomamos café e saímos para passear até perto da “Baixa da Égua”. Voltamos para o hotel e comemos algumas frutas, depois acabamos dormindo a tarde. Veronique é nervosa e isto dificulta de certo modo nosso relacionamento, tanto no amor como na amizade. Amanhã eu terei que comparecer a Polícia Federal e espero que de tudo certo. A noite esteve melhor.
10/05/76 - Segunda-feira
Pela manhã, às nove horas, fui ao Quartel da PM, onde encontrei o sargento Bosco e fomos a Polícia Federal. Na PF o sargento entregou os documentos de Jozsef e Peter ao Dr. Jaber; e eu fiquei para prestar declarações. Almocei na PF, e a tarde tive que escrever um resumo de minha viagem ao exterior, destacando minhas atividades e pessoas com que tive contato, e depois assinar. Pensei em poder voltar para o hotel e ficar com Veronique, mas não deixaram. Colocaram-me numa cela da PF onde haviam dois Peruanos, presos por falta de passaporte. Os peruanos, Júlio Cezar e Ricardo, já estavam presos há uma semana. Havia um outro Peruano que já estava preso há dez meses, com problemas por tráfico de drogas; este se chamava José. Jantei na cela, que além de não ter camas, estava com o banheiro entupido. E Ricardo estava com sífilis. À noite Veronique veio me ver, trouxe cigarros, carne enlatada, queijo, azeitonas e pão. Sinceramente, não esperava que ela viesse ou que a deixassem entrar. Ficamos até tarde jogando damas e cantando.  
11/05/76 – Terça-feira
Ricardo completava 22 anos hoje, mas não poderia comemora-lo como desejava. Tomamos café com torradas que José nos trouxe, durante a manhã ninguém apareceu. Na hora do almoço apareceu o plantonista e lhe pedi que trouxesse desinfetante. Prometeu, mas não trouxe. Almocei e continuei esperando. As três da tarde vieram me buscar. Entregaram meus pertences e passaram-me ao Dr. Florindo, Delegado Especial da Polícia Civil. Acompanhei o delegado em seu carro até a Delegacia Geral e Polinter. Aguardei até as seis horas da tarde para falar com o Delegado Geral, Dr. Raimundo Nonato. Veronique veio me ver e ficamos conversando. Depois de falar com o Dr. Raimundo, fiquei sabendo da minha situação. Ficaria a disposição da delegacia, mas na delegacia. Falei com o Dr. Florindo e ele acabou concordando que eu passasse a noite no hotel com Veronique, só que tive que deixar todos meus documentos na delegacia. O pessoal do hotel me recebeu muito bem, e depois saí com Veronique para tomarmos cerveja e conversar. Voltamos para o hotel e passamos uma noite maravilhosa, pena que era a despedida.
12/05/76 - Quarta-feira
Como havia prometido ao delegado, às sete horas eu fui para a delegacia. Despedi-me de Veronique e ela prometeu me ver as cinco da tarde. Neste dia, a delegacia estava de mudança para a penitenciária. Fui almoçar na casa do Delegado, Dr. Félix de Costa e retornamos as três horas da tarde. Na casa dele comi diferentes tipos de carne, suco de maracujá e cacau. Ás 4 horas da tarde chegou um repórter e um fotógrafo do jornal A Notícia; queriam me fotografar e entrevistar. Não aceitei apesar da insistência. Mais tarde chegou Veronique e fomos conversar com o Dr. Félix e este só falava asneira. Veronique não gostou muito. Chegou o Dr. Florindo e me liberou para dormir no hotel. Saímos da delegacia, fomos beber cerveja e depois para o hotel dormir.  
13/05/76 - Quinta-feira
Comecei o dia com amor. Depois fui para a delegacia e esperei até as dez horas. Como não aparecia ninguém, telefonei para o Dr. Florindo e levei minha bagagem para o hotel. Saí com Veronique e José para comprar frutas e depois voltamos para o hotel. As duas horas José foi ao porto pegar um barco para Porto Velho. As três e meia eu e Veronique saímos. Eu fui a delegacia e ela passear. Nessa tarde eu e o Dr. Florindo fizemos uma relação de material e pessoal para ir ao rio tentar localizar Peter. À noite voltei para o hotel e Veronique não estava, mas chegou rápido. Havia ido ao porto se despedir de José que só conseguiu viajar a noite. Saímos e fomos tomar Whisky com coca-cola num barzinho do porto. Ela falou de sua vontade de ir comigo ao Rio Biá e também do seu medo. Concordamos em seguir, se possível, juntos. Voltamos ao hotel às 23:00hs e fomos lavar roupa. Depois fomos dormir.
14/05/76 - Sexta-feira
O dia amanheceu chuvoso. Saí com Veronique, fomos a Polícia Federal para que ela renovasse o visto e pudesse viajar comigo. Depois fui a delegacia e fiquei até o meio dia. Então voltei ao hotel. As 15 horas voltei novamente a delegacia, conversei com o Dr. Florindo e um perito da polícia técnica. Depois fomos ao Dr. Nonato, à Secretaria de Segurança, onde havia uma reunião de delegados. Foi aí que eu tive uma triste notícia: por mais que eu protestasse, não consegui convence-los a deixarem Veronique viajar comigo. Decidiram que viajaríamos na Segunda à noite. Quando voltei ao hotel e falei com Veronique, ela protestou. Mas não podíamos fazer nada, a não ser lamentar a separação, pois já nos amamos. Fomos ao barzinho do porto, tomar whisky e conversar. Conversamos a respeito de nossas vidas, sobre o que poderíamos fazer. Ela sugeriu que fossemos para a selva e lá ficássemos juntos. Na teoria, seria a felicidade, o romantismo, mas na realidade seria o fim do nosso amor. O pessoal do bar nos preparou peixe e salada, que comemos enquanto esvaziávamos um litro de whisky com coca-cola. Por volta das duas da manhã regressamos ao hotel. Eu vomitei muito, pois estava bêbado e fizemos muito barulho. Não dormimos muito e passamos a noite brigando (amando). Eu gosto cada vez mais dela, e o pensamento de deixa-la me faz sofrer.
15/05/76 – Sábado
Levantamos às onze horas e tive que lavar o banheiro, que ainda tinha restos de vômitos da noite. Fomos tomar café e voltamos ao hotel. Acabamos dormindo toda a tarde, depois saímos para jantar; estava chovendo. Paramos num bar e ficamos conversando a respeito de nossas vidas. Sinto-me muito feliz em estar ao lado dela. Voltamos para o hotel, porque em Manaus, aos sábados e domingos, não se vê nada nas ruas. Veronique nasceu a 28/08/47 em Monthey na Suíça.
16/05/76 – Domingo
Levantamos as nove horas, tomamos café e fomos caminhar. Veronique queria ver um pouco da selva. Imaginamos o parque Dez com alguma coisa interessante. Caminhamos bastante e não vimos nada. A tarde paramos num bar para tomar para tomar cerveja e comer salsicha. Na conversa lhe falei sobre vender minha história  a um dos jornais, já que eles queriam uma entrevista, por mil dólares. Ela achou uma loucura, mas que se não fosse possível por mil dólares, então por menos. Acontece que eu teria que escrever um diário de viagem, do período de minha entrada na Costa Rica até a morte de Jozsef em Foz do Jutaí. Quando chegamos ao hotel, dediquei-me a lembrar e escrever tudo desde o dia 20/02/76 a 06/05/76, mas só consegui a metade. Pretendo terminar amanhã, e deixa-lo para Veronique vender.
17/05/76 - Segunda-feira
Terminei minha história. Fui a delegacia e o Dr. Florindo disse-me que só viajaríamos amanhã, por causa de problemas administrativos. Voltei ao hotel e saí com Veronique, conversamos a respeito do diário e resolvemos que ela o venderá amanhã. Depois estivemos no porto, inundado pela cheia. É um espetáculo diferente!Veronique estava escrevendo alguma coisa a respeito de minha história em francês. À noite fomos comer peixe no mercado.
18/05/76 - Terça-feira
Estive na delegacia e ainda não haviam decidido sobre a data da viagem, peguei minha identidade, e depois fui buscar uma carta no correio. Era da Sueli. Ela me contou sobre a situação em que me encontro no sul e tive vontade de fugir. Falei com Veronique e ela disse que iria comigo. Como havíamos bebido um pouco, não raciocinamos. À noite fomos comer peixe (jaraqui) no bar Esplendor, perto do hotel Amazonas. Depois fomos ao mercado tomar batida e quase tive que brigar com um “bêbado”.  
19/05/76 - Quarta-feira
Pela manhã fomos ao museu do índio, da Irmandade Filhos de Dom Bosco. Muito interessante, pois mostra os costumes fúnebres, artesanato com fibras de tucum, cerâmica, armas, casas e fotos da vida indígena com os missionários. Havia uma freira velha (italiana) que resolveu ciceronear-nos. Não foi fácil!De lá passamos ao Colégio Estadual, correio e fomos ao bar, tomar cervejas (ultimamente eu e Veronique temos bebido todos os dias, para nos despedir). Falamos sobre minha fuga, os prós e contras. Decidimos que se eu não viajasse hoje para Jutaí, atravessaríamos o rio e iríamos para Santarém. Voltamos ao hotel, tomamos banho e fomos para a polícia. Falei com o Dr. Florindo que se fosse possível ou necessário eu me casaria para que Veronique fosse comigo. Ele achou graça e me prometeu pensar no assunto. Disse que só viajaríamos no Sábado, porque trocaram o barco (agora é o da Casa Militar) e o subsecretário de Segurança que nos acompanharia quebrou o pé. Saímos da polícia e fomos jantar Tambaqui com jaraqui. Depois fomos para o hotel e comecei a sentir-me mal, principalmente a cabeça. Veronique me deu remédio (minha febre estava a 38’) assim mesmo delirei a noite toda.
20/05/76 - Quinta-feira
Hoje faz um mês que pedi ajuda militar para procurar Peter, porém ainda não sei quando farão alguma coisa. Acordei melhor, tomei banho e café, mas não sai do hotel. Veronique foi comprar frutas. Agora sinto que a amo muito e não sei o que vou fazer para encontra-la depois. A tarde saímos para umas fotos da Alfândega, um edifício estilo londrino; Catedral, estivemos dentro por algum tempo; Teatro Amazonas; Palácio da Justiça e algumas casas antigas. Passamos pela Central de Polícia e não havia ninguém lá. Fomos ao bar Esplendor beber cerveja; passamos pelo cais, e compramos vinho, pão e sardinha para jantar no hotel. Acabamos brigando “brincando” antes de dormir.
21/05/76 – Sexta-feira
Pretendemos visitar mais alguma coisa e é possível que Veronique se vá hoje. Sinto-me bem e creio que ainda vá encontra-la outra vez. Estivemos no aeroporto Ponta Pelada e não sabíamos que haviam mudado de local. Encontramos um alemão com um violão e ele veio falar conosco. Depois fomos ao restaurante Chapéu de Palha e Veronique tirou umas fotos. Depois paramos na choperia Suprema onde Veronique bebeu uma caipirinha e eu um chope. Fomos também ao Colégio Dom Bosco. A tarde passei na Central de Polícia  e me informaram que possivelmente só viajaríamos na Segunda-feira ao rio Biá. Não gostei da notícia, pois estou há quinze dias em Manaus por minha livre e espontânea vontade “detenção domiciliar” a até agora nada foi resolvido. Já estou de saco cheio. Falei com Veronique e sem insistência ela concordou em viajarmos para Santarém. Tomamos o barco São Francisco III às seis horas da tarde, em Manaus, mas só saímos as sete horas. No barco estive lendo “O Pasquim”, e a coisa no Brasil em vez de melhorar, está só piorando, “eta, povinho!. Viajamos de Segunda classe por ser mais econômico.
22/05/76 – Sábado
A noite não foi das melhores. O barco pegou um banzeiro e jogou muito. Eu também estou um pouco doente, uma gripe forte com dor na garganta e na região pulmonar e ainda tosse. Durante o dia choveu um pouco e não estava confortável ficar na rede. Tanto o almoço quanto o jantar foram servidos mais em quantidade do que em qualidade. O barco parou na margem direita do rio, num porto improvisado e colocaram para dentro uma lancha muito bonita e pesada. Com a chuva apareceram ilhas de plantas descendo o rio Amazonas; tinha uma com uns quinze metros de comprimento por uns quatro de largura  que descia o rio com muita velocidade.Passamos pelos controles de polícia e fiscalização sem problemas. Apenas o pessoal do ministério da Fazenda queria e teve o dinheiro extra dos contrabandistas. Á tarde  nós paramos num posto avançado da Petrobrás, que, me pareceu importante.
23/05/76 – Domingo
Dormimos no barco, pois chegamos as duas da manhã em Santarém. Pareceu-me bonita e a paisagem é fascinante; o encontro das águas, enfim é bastante interessante. Espero que dê tudo certo e amanhã seguiremos para Belém. Estamos na hospedaria Raifran, um quarto para dois, para dormir na rede, Cr$ 20, 00, uns dois dólares. Santarém é bem quente. Passeamos pela cidade e me pareceu, principalmente a área do porto mais bonita e organizada que Manaus. Vimos um veleiro antigo, muito bonito. A tarde estive na Enasa para ver se havia barco para Macapá ou Belém. Falaram/me que haveria um na madrugada e que poderíamos ir até Breves na ilha de Marajó e de lá para Macapá. Como Veronique não tinha os cruzeiros suficientes para as passagens, sugeriram trocar com o capitão no navio. Procuramos um restaurante  e não encontramos. Estivemos no Stop Bar onde comemos pizza, o que não me fez muito bem. Tentamos ainda trocar dólares no bar e na igreja, sem sucesso. Fomos dormir as sete e meia.
24/05/76 - Segunda-feira
Acordei a uma hora da manhã, assustado porque pensei que tivéssemos perdido o navio. Acordei Veronique porque havia uma aranha grande e preta na parede do quarto. Meia hora depois já estávamos prontos para ir até o porto. Informaram-nos que levaríamos duas horas até o porto da Enasa, mas fizemos em 40 minutos. Pelo caminho vimos um “OVNI”, talvez um jato, mas não se ouvia som e eram luzes brancas no centro, piscando, e  com vermelhas nas extremidades. É possível?
“A BOLA DE FOGO”.
“ O céu era de um azul quase negro, com muitas estrelas brilhando, dando um contraste de veludo ao mesmo. Nós paramos para descansar, pois a bagagem estava pesada. Eram ás duas horas da manhã e o barco chegaria a Santarém mais ou menos as três. Como faltavam ainda uns quinze minutos de caminhada, ficamos admirando o céu com toda a sua magnitude. As estrelas brilhavam com muita intensidade; algumas até pareciam trocar de cor constantemente. O silêncio as vezes era quebrado com algum latido, ou alguma onda que batia contra o concreto no porto. Já pensávamos em continuar a andar quando Veronique me alertou para uma luz vermelha no céu. Eu lhe disse que era um avião. Aí, ela se assustou porque eram duas luzes vermelhas com uma branca que girava ao centro. Não se ouvia nada mais além de latidos esparsos e a água contra o porto. Quando menos esperávamos, estava a uns dez metros acima de nossas cabeças um enorme disco com muitas luzes vermelhas ao redor e brancas ao centro. Veronique desmaiou, tentei ajuda-la e nisto no centro do disco se abre uma porta arredondada e uma luz azul sai de dentro como um raio laser e apenas senti um choque. Acordei estava numa espécie de maca num centro de uma sala circular toda num tom branco amarelado, mas sem nenhuma porta ou janela. Tentei descer da maca, pois estava um pouco mais alta do que o piso, pois flutuei na mesma altura da maca; tentei atingir o teto e também não consegui. Podia ficar de cabeça para cima ou para baixo que era a mesma coisa. Não conseguia entender. Nem consegui entender porque não havia percebido que estava nu. Não sentia cheiro de nada e nem se ouvia nada. Gritei e nem isto eu pude perceber. Estaria surdo, mudo ou louco? Abriu-se no teto uma porta arredondada como a primeira e fui puxado para cima como sucção. Fiquei flutuando numa outra sala como a primeira, só que agora podia perceber que não estava sozinho. Do piso voaram até mim quatro personagens estranhos; tinham uma forma humana, mas eles usavam um uniforme colante em todo o corpo, inclusive o rosto, podia-se ver apenas os olhos que eram de um amarelo brilhante. Seria impossível precisar  sexo, pois não apresentavam nenhuma característica feminina ou masculina. Examinaram-me de todos os lados; um deles tirou de não sei onde uma espécie de óculos que colocou e me examinou de todos os ângulos. Em seguida me deixaram ali flutuando. Voltei a recordar de como tinha ido parar ali, e me lembrei de Veronique; talvez não a tivessem levado a bordo, porque ela é muito nervosa e talvez estivesse com problemas. Mais uma porta arredondada se abriu no teto e subi suavemente, só que desta vez fiquei no chão. Levantei-me e, procurei verificar o ambiente. Este também circular, e tinham uma espécie de poltrona em toda a volta e o piso era em muitas cores diferentes em diversos círculos. Sobre a poltrona percebi um pequeno objeto, assim como um microfone; tomei-o, verifiquei se era japonês ou americano e não encontrei marca. Não havia botões para ligar ou desligar, como também não tinha fio. Nisto entraram duas das figuras estranhas, pois as roupas marrons e a estatura eram as mesmas. Dirigiram-se para mim e cada um tinha um pequeno aparelho como o meu. Um deles tomou o aparelho de minha mão e abriu-o e saíram três cabos com disco na ponta. Colocou-me um em cada ouvido e outro em uma mão, era o microfone. Fizeram o mesmo com eles. Um deles começou o diálogo, falava uma língua estranha, mas compreensível, com uma voz unissex e pausada. Pedimos desculpas e ao mesmo tempo lhe damos boas vindas a bordo. Esta é uma nave do planeta Mercúrio do Sistema Solar. Estamos usando um tradutor automático portátil interplanetário, com o qual podemos falar em uma língua universal. Respondi-lhes: - Agradeço-lhes as boas vindas, porem gostaria que me informassem sobre Veronique, e qual a intenção de vocês conosco. Tudo bem com Veronique, ela está sendo examinada no laboratório e logo virá para cá. Vocês vieram a bordo apenas porque foram encontrados em posição ideal para transporte segundo nossos sensores. Gostaríamos de saber alguma coisa sobre o organismo de vocês terráqueos, e aproveitaremos para mostrar-lhes algumas coisas que serão interessantes a vocês. Falou-me um segundo. Nisto entram mais dois personagens e entre eles Veronique. Eles colocaram lhe o aparelho e ela pode dizer-me que estava com muito medo e estava sem roupa também. Um dos seres que chegou com Veronique falou:- Não precisam temer nada, e será por demais interessante a vocês algumas das informações que lhes daremos. Falei com Veronique que não temesse, pois nada de mal podia acontecer; eu já tinha ouvido falar de pessoas que fizeram semelhante viagem e voltaram muito bem. Nos levaram para uma outra sala. O engraçado é que as paredes eram perfeitas, sem portas e de repente onde você nem imaginaria, abre-se uma porta. Nesta outra sala havia um grande painel metálico, e mais abaixo uma espécie de computador, pois brilhavam muitas pequenas luzes. Sentamos num sofá circular e um dos seres mexeu um dos botões do computador, voltou e sentou-se junto a nós. O painel se abriu e vimos como num cinema algumas cenas com seres, como aqueles que estavam conosco. As cenas se passavam por entre prédios moderníssimos e salas moderníssimas. Os seres caminhavam, paravam, tocavam com a palma da mão na palma da mão de outro; não falavam. Nem eu nem Veronique entendemos nada. Depois passaram outras cenas sobre uma imensa região árida e cheia de crateras, mas não havia nada. A outra cena era de grandes campos agrícolas, numa perfeita harmonia. Após isto nos levaram para outra sala, sentamos eu e Veronique em duas poltronas em frente um aparelho como um computador. Colocaram sobre nossas cabeças um capacete, do qual saia um cabo que ligava ao aparelho. Ficamos mais de uma hora, absorvendo informações do computador. Aí então entendemos o porque do filme e o porque de nossa ida a nave. Já contente e sem medo passamos a uma outra sala com uma mesa ao centro. Estavam na mesa conosco mais seis seres que nos cumprimentaram e um deles pediu que sentássemos. Nos disse ainda: Estamos satisfeitos que tenham aceitado nosso convite, e acreditamos que poderemos fazer muito juntos. Agora como vocês tem que voltar ao planeta Terra, nós lhes desejamos felicidades. Podem se dirigir à sala de transportes. Chegamos a sala de transportes através de uma sucção em que flutuamos. Lá colocamos nossas roupas e nos dirigimos ao painel de controle dos transportes. Verifiquei a posição de Belém e acionei, descemos perto do cais do porto e já eram segundo o meu relógio as quatro da manhã.Fomos para um hotel e dormimos. Á tarde enquanto passeávamos pela avenida Presidente Vargas pudemos ver em manchete num jornal “A Província do Pará” Bola de Fogo nos céus de Belém causa espanto. E nós rimos muito com a notícia.”
“MISSÃO NA TERRA”.
“ Desde que tivemos nosso encontro com seres de Mercúrio, nossa vida se transformou muito. Transformaria a  vida de qualquer um que tivesse acesso a informações de outros planetas sobre o futuro da terra e daqueles planetas. Eu e Veronique agora sabíamos que tínhamos uma missão a cumprir na terra e que era muito importante o nosso sucesso. Procuramos o porto pela manhã e encontramos uma lancha nos esperando. Embarcamos e o capitão, único tripulante a bordo, ligou o motor e saímos. Nos acomodamos e o barco seguiu numa velocidade de noventa nós. O dia estava bonito, apenas nuvens brancas e esparsas no céu. Viajamos quase o dia todo sobre um mar calmo e verde. Passamos por algumas ilhas e corais; pudemos apreciar a maravilhosa flora marinha do Caribe. Eram quase quatro horas da tarde quando o capitão diminuiu a velocidade  e nos avisou para nos preparar-nos. Colocamos os escafandros e o barco parou junto a uma bóia azul esverdeada que se camuflava na água. Descemos uns trinta metros e encontramos um grande tubo o qual abrimos a porta e mergulhamos adentro. Num painel brilhante acionei um botão e a porta fechou-se, acionei outro e a água começou a sair. Ficamos secos e automaticamente uma porta se abriu e pudemos passar para uma das escadas. Caminhamos até uma das portas, esta se abriu e entramos numa sala, onde aguardamos ser recebidos. Uma mulher vestindo um traje colante nos serviu um suco de laranja e pediu que aguardássemos. Em seguida entrou na sala um dos seres de Mercúrio. Cumprimentou-nos e pediu que o acompanhássemos. Passamos por várias salas onde se podiam ver humanos com roupas de Mercúrio. Paramos numa sala de controles. Sentamos e ele ligou os computadores à TV e assistimos um relato geral das realizações da plataforma submarina, todos os barcos e aviões que haviam sido aprisionados pelo campo magnético, estavam em perfeito estado. (Ali estava a explicação aos curiosos sobre o Triângulo das Bermudas, ou Triângulo da Morte). Um campo magnético, de tempos em tempos era ativado, e se houvesse algum avião ou navio próximo à área ele ficaria preso a esse campo, todos os tripulantes tinham sido recuperados e agora passavam por um tratamento de adaptação a uma nova vida. Nos foi fornecido um submarino para seguirmos ao Ártico. Seguimos por um mar que mudava as cores constantemente até chegarmos ao Ártico. Passamos por mais uma hora de túnel em alta velocidade até chegarmos à plataforma norte. Apesar de ser o subsolo do Ártico tínhamos uma temperatura ambiente agradável. Era realmente fascinante a plataforma. Toda a plataforma numa cor azulada, salas ovais, muitos computadores e além dos seres de Mercúrio havia humanos trazidos de todas as partes da Terra. Jovens geralmente com uma idade variável entre 25 e 30 anos, todos usando trajes mercurianos. Os seres de Mercúrio usavam marrom e os humanos um azul brilhante que os fazia desaparecer perto das paredes. Nesta plataforma todos já falavam um idioma universal. E nós ficaríamos nesta plataforma para um estágio. Colocamos nossos uniformes azuis. Veronique ficou divina. Fomos ao laboratório e fizemos exames gerais, depois passamos à sala de controles para absorvermos alguns conhecimentos básicos. Passamos durante uma semana, na rotina de absorver novos conhecimentos. Voltamos então à plataforma submarina em Bermudas e a lancha estava à nossa espera para voltarmos. Em Belém estava chovendo muito, fomos para o hotel e o barco voltou para a base. Alguns dias depois a nave sobrevoou a praça ao lado do cais e nos sugou para dentro da mesma. Passamos pelo laboratório para exames e nos forneceram um uniforme de Mercúrio, mas azul brilhante. Fomos para a sala de controles onde fomos recebidos pela equipe de bordo. Já estávamos fora da estratosfera e ainda podíamos ver a Terra diminuindo. Passamos por muitos asteróides, por Vênus, que à primeira vista de passagem não me pareceu nada com a deusa do amor. Mais um pouco e chegaremos a Mercúrio, informou um dos seres enquanto tiravam a parte do uniforme que cobria o rosto. Incrível, mas eram talvez de uma beleza exótica maior do que a que temos aqui na Terra. Rosto arredondado, pele morena, olhos amarelo-claros, nariz pequeno e boca proporcional ao rosto. Os cabelos claros; dentes verde claro fosforescente, orelhas pequenas. Agora sim, nós precisávamos cobrir inclusive o rosto pela proximidade com o Sol.Mercúrio ultrapassa toda a nossa lógica, pois têm um povo saudável que não sente o mínimo transtorno com o calor produzido pela proximidade com o Sol. Voltamos mais felizes.”
Esperamos até as quatro horas da manhã, quando apareceu o navio A. Montenegro. Saímos ás cinco de Santarém e não conseguimos lugar para atar a rede, pois o navio estava lotado de muambeiros que vinham de Manaus. Tomamos café e fomos para o bar com Sarah, uma senhora americana e também conhecemos  Francisca, uma garota negra. As duas falavam sem parar. Sarah falava em inglês, muito rápido e Francisca em português, pois ela não entendia nada de inglês. Deixamos as duas tagarelando e fomos ver o capitão. O comandante do navio trocou dólares á Cr$ 11,50. Almoçamos e depois paramos nos portos de Monte Alegre, Prainha e Almerim, todos muito bonitos. Conhecemos mais alguns americanos, italianos, suecos e um suíço que é professor de esqui em Bariloche. Depois voltamos a encontrar o alemão que conhecemos em Manaus, aquele do violão. Passamos a tarde bebendo cerveja e Veronique ainda tomou rum montilla. Fomos dormir e como não havia mais lugares, acabei no corredor.
25/05/76 - Terça-feira
Pela manhã, enquanto preparávamos a bagagem, Veronique descobriu que haviam roubado sua câmera fotográfica “Recua”. Falei com o comandante e ele me disse ser impossível revistar a bagagem de todos, mas concordou em revistar de dois ou três suspeitos. Nada foi encontrado, mas deu para perceber o volume de contrabando que o navio transporta. Chegamos a Breves na Ilha de Marajó. Aqui funciona como base do contrabando de Manaus para Belém, pois todos trabalham em conjunto: Policiais, fiscais, pessoal do porto e contrabandistas. Fomos para uma pensão de Cr$ 10, 00, péssima. Estivemos passeando e visitamos duas fábricas de palmitos Amazonas e vimos o processo de conserva dos palmitos. Eles descascam o palmito, cortam o em pedaços padrão e colocam em latas com ácido e sal. As latas passam por um aquecimento, são tampadas e cozidas, depois embaladas e estão prontas para a venda. Fomos pescar com salsicha e pão e não pegamos nada. Alguns garotos vieram nos ajudar, trouxeram minhocas e pegamos uma dezena de piabinhas, que demos a eles. Voltamos para a pensão e fizemos nossa festa com vinho tinto e rose, sardinhas, ketchup, pão e muito amor. Depois conversamos sobre os Ovnis. Foi muito interessante.
26/05/76 - Quarta-feira
Hoje iremos a Belém. Segundo o serviço de alto falante da “Padaria Ordem e Progresso”, o preço da passagem são setenta cruzeiros. Tomamos água com limão e comemos sanduíche de queijo com ketchup no café da manhã. Em Belém, Veronique pretende comprar outra máquina fotográfica, se possível igual a que lhe roubaram. O barco chama-se Salomão Donato e sairemos ao meio dia. O almoço e jantar foram muito saborosos. Sobre o barco colocaram uma caminhonete. A viagem esteve boa, e só a noite tivemos um pequeno problema, pois o barco encalhou. Mas a maré logo subiu e resolveu o problema.
27/05/76 - Quinta-feira
Chegamos as sete da manhã em Belém e tivemos que caminhar bastante, do Ver-o-Peso até um hotelzinho na rua Gaspar Vianna, a Cr$ 20,00. Procuramos comprar uma câmera para Veronique, mas não foi possível. Passamos pelo mercado e comemos peixe frito (dourada a Cr$ 3,00) e estava muito bom. Hoje eu escrevi uma carta a Sueli para que ela envie a Manaus. Veronique conseguiu trocar os dólares na casa Jake’s por 13, só que não conseguiu comprar a câmera. Eu estive em algumas companhias de navegação me informando sobre navios de passageiros para o Caribe, mas não há. Para o Soure a Enasa tem o FORTALEZA todo fim de semana e para Macapá há o PRINCESA DO MAR as Quintas-feiras. Amanhã vamos procurar informações sobre ir a Guiana Francesa e Veronique vai tentar comprar sua câmera. Os alimentos e bebidas aqui são um pouco mais baratos do que em Manaus.  
28/05/76 - Sexta-feira
É, o tempo passa, a vida passa, mas eu continuo. Eu queria poder definir de uma vez por todas a minha vida, porém creio que a partir do momento em que não houvesse mais surpresas eu não me sentiria bem. Acho até que seria impossível para mim. Tomamos café no hotel as oito da manhã, depois de  tomar um bom banho. Estou imaginando o que poderei fazer depois que me separar de Veronique e creio que logo terei solução. E apenas uma questão de tempo e o que eu tenho demais e tempo. Veronique comprou uma Olimpus Trip 35 por Cr$ 1.000,00. Achei um absurdo! Saímos para um teste black/White e amanhã a tarde teremos a resposta. Fizemos compras a tarde e à noite fizemos uma festa com vinho tonel, ketchup, molho de pimenta, sardinha, pão, geléia de figo, vinho virgem. Por causa do cheiro de comida, acordamos à noite com ratos dentro do quarto. Foi horrível. Veronique teve um ataque histérico e só mais tarde conseguimos dormir.
29/05/76 – Sábado
Saímos pela manhã e compramos raticida e é possível que os ratos não voltem mais. Veronique escreveu uma carta a um amigo em São Paulo e a tarde fomos ver as fotos. Saíram todas elas muito boas. À noite os ratos voltaram.
30/05/76 Domingo
Estivemos no mercado Ver-o-Peso para tirar umas fotos. Compramos camarão e comemos um peixe dourada. Encontramos uma baiana que veio falar conosco em inglês. Veronique comprou uma figa de madeira e um chocalho de cascavel. Passamos pelo bar Mondego, no porto, para comer camarão e tomar cerveja. A tarde fomos ver o filme de Buñel “FANTASMA DA LIBERDADE”. E realmente, acho que o filme não tem nada de interessante, apenas absurdo. Acredito que Buñel esteja gagá. Em Belém, nos domingos à tarde, você não encontra nenhum bar aberto, é incrível, não é?  
31/05/76 - Segunda-feira
Hoje é o último dia do quinto mês mais bobo do ano mais bobo ainda deste século, para mim. Olhando o céu vejo alguns urubus que predizem boas coisas para hoje. Creio que estão com fome. Estivemos no porto  para Veronique fotografar a chegada e saída de barcos e depois voltamos para o hotel e almoçamos camarão, vinho branco, sardinha, ketchup, ovos e molho. Hoje escrevi considerações  sobre a Amazônia (H. Saito) ao Pasquim, e espero que façam bom proveito. Estou um pouquinho gordo, eu acho!Hoje é “Dia das Aeromoças!o Brasil do futebol conseguiu sem esforços ganhar da Itália na taça Bicentenário dos States. Para mim o mês de maio não foi dos piores. Claro que também não foi dos melhores. A balança não chegou a equilibrar, mas valeu a pena, creio. As conseqüências deste mês, eu creio, que repercutirão por bastante tempo em minha vida. Mas a vida é aquela que nós mesmos fazemos. Depois é só não reclamar. Viva!
01/06/76 - Terça-feira
Ame para ser amado, também confie sem desconfiar ou não ame, porém nunca odeie, nunca!Falou?
Uma estória – ou seria História? Sobre
“A origem do cipó titica: Existe uma formiga grande com dez pernas e uma grande ferrão que os caboclos chamam de tucandeira. Sua ferroada dói como a do escorpião, mas não mata, não. Segundo a lenda do rio Jutaí e no rio Biá, contada pelos índios, essa formiga tece e constrói um cipó (Titica) que é usado nas construções indígenas e é muito resistente. Para alguns que afirmam que já viram: a formiga se transforma em planta, sendo que suas patas se transformam em folhas e o corpo em caule (cipó). Pode ser, não é?”.“Outra estória, agora de Porto Afonso – Am – Há algum tempo, na época dos coronéis, reinos em Porto Afonso, Foz do rio Jutaí e afluentes  a tal ponto que ele fez circular uma moeda própria com sua esfinge e iniciais. Toda a produção de látex; farinha; peixe e madeira eram controladas pelo coronel. Ele construiu a cidade de Porto Afonso com energia elétrica, porto e aeroporto e mesmo o governo da época respeitava o coronel. Estiveram no auge por uns dez anos e numa revolta dos trabalhadores, toda a família foi dizimada. Foi o fim do Império. Hoje a Aplub comprou a cidade de Porto Afonso, onde ainda se pode ver as ruínas”.
Estivemos pela manhã no Ver-o-Peso, comemos peixe e tomamos refrescos. Depois fomos explorar o mercado, que todo construído em ferro fundido de Glasgow, do século passado, com desenhos coloniais. Compramos uma revista Realidade e uma Veja. Passamos a tarde no restaurante Mangueirão lendo e escrevendo, a noite também.
 02/06/76 - Quarta-feira
Dia sem movimento pela manhã; espero que possa  melhorar à tarde. Fomos ao cine Palácio ver “Homem de Sorte”, mas não entramos porque estávamos de sandália havaiana. Fomos então ao correio e Veronique recebeu uma carta. Fomos a outro cinema ver a “Dama e o Gangster” do Claude Lelouch. Foi melhor que o filme de Buñel. Ele fala de um bandido que usa psicologia e algumas máscaras para uma grande assalto a uma joalheria de Van Cleef. Existe a mulher de um antiquário, Françoise por quem ele se apaixona. Depois do assalto o seu companheiro consegue fugir com as jóias e ele é preso por seis anos. Depois de solto, recebe os dólares da venda das jóias e vai viver com Françoise. Lindo, não foi? A noite voltamos  ao hotel e fomos ler o Pasquim.
03/06/76 - Quinta-feira
Pela manhã, quando fazíamos fotos no mercado, um punguista levou o porta moedas da Veronique com cem cruzeiros. Estavam na bolsa que eu carregava. Mau humor!A tarde fomos ao correio. Carta ao Pasquim. A tarde, quando eu tentava escrever meu diário, havia no quarto ao lado uma sessão de consultas do espírito ou “Como os trouxas dão dinheiro aos charlatões” Impressionante!  
04/06/76 - Sexta-feira
Depois  de uma noite de luz acesa, criança chorando e macumbeiro bêbado brigando, trocamos de hotel. Fomos para o Hotel Baré, bem melhor. Tem até que dar o nome na portaria, e fica ao lado da Gráfica de “O Liberal” de Belém. Saímos para tirar algumas fotos da praça da Igreja de Nossa Senhora de Nazaré. Antes de sair tomamos uma cerveja no bar Albatroz, depois compramos um mapa de Belém. De volta ao hotel fui escrever uma estória que enviarei para a revista Realidade acerca do que aconteceu ontem no outro hotel (macumba). O hotel é muito bonito, e está muito bem cuidado. Trata-se de uma construção do início do século e possivelmente portuguesa, com grandes portas e detalhes em madeira.  
05/06/76 – Sábado
Fizemos um passeio pelo mercado na manhã e depois fomos ao correio e eu mandei duas estórias a Realidade. A tarde passamos por um supermercado, teatro e praça principal e voltamos ao hotel.
06/06/76 – Domingo
Pela manhã no mercado, comemos peixe e compramos algumas frutas. Depois caminhamos até o mercado São Brás e rodoviária. Fomos ao Museu Paraense Emílio Goeldi. O museu é um retrato da Amazônia, com suas plantas típicas e animais. Existem também fósseis e cerâmicas que voltaremos a ver na Terça-feira. Mas quando estávamos no Museu, desabou uma tempestade e ficamos  bastante molhados. Voltamos para o hotel. Veronique saiu para algumas compras de comestíveis e uma revista Planeta.
07/06/76 - Segunda-feira
Ontem fez um mês que encontrei Veronique. Hoje pela manhã ela saiu para algumas compras e a tarde saímos para tomar um refresco. Antes Veronique tinha ido ao correio e enviou mais um filme a Suíça. No bar onde estávamos, havia dois americanos. O mais novo pagou a conta e foi embora. O gringo mais velho, com a calça molhada foi ao banheiro e depois continuou bebendo cerveja. Apareceram dois camelôs e perderam meia hora falando com ele, mas ele não entendia nada. Depois o garçom, que estava meio louco, deu ao americano um troco que não era dele. Em seguida tomou e o gringo ficou perguntando: Uai? Na hora de pagar a conta teve problemas novamente com o garçom e eu fui ajuda-lo. Depois ele veio para nossa mesa e continuou bebendo. Apesar de bêbedo, foi possível entender que ele se chamava Bobby Dolmes e que trabalhava num barco de pesquisa científica de uma Universidade da Califórnia. O barco tinha feito escala no Panamá e em Belém e agora seguiria para Manaus e Iquitos. O nome do barco era Alpha Hélix. Depois o segundo capitão veio conversar com gente e também beber. A noite fomos ao supermercado e compramos palmitos.
08/06/76 - Terça-feira
Depois de Veronique tirar uma foto do Teatro da Paz, fomos ao museu Emílio Goeldi. Muito interessante a cerâmica da fase Mina – 1000 a 500 anos antes de Cristo, e também cerâmicas marajoaras e Tapajoaras. As grandes urnas fúnebres, algumas com motivos especiais, como as do rio marca no Amapá. Alguns animais e plantas como a Vitória Régia. Estive na Biblioteca do museu e me deram um artigo sobre a contribuição de arqueologia do Amapá. Depois do almoço fomos ao porto ver o Alpha Hélix. Não foi possível e tivemos que pedir autorização a capitania de portos. Não autorizaram e voltamos ao porto, eu fui ver o barco e Veronique tentou tirar uma foto, só que não deixaram. Fomos a Paratur pedir informações sobre Marajó. Veronique pode fotografar os ídolos dos Maracas e comprar xarope de guaraná. Voltamos ao hotel e Veronique foi lavar roupas. Depois jantar, papo, cerveja, amor e cerveja.
07/06/76 - Quarta-feira
Acordamos cedo para viajar. Tomamos um ônibus para Vigia às dez e chegamos lá as doze horas. Vigia é uma cidade do litoral paraense com duas igrejas do século XVIII. A matriz foi construída em 1702 ou 1732, nem eles sabem. Tem veleiros muito antigos e um povo que nos olhavam como se fossemos extras terrestres. O mercado municipal foi construído em 1946. Voltamos a Bm as quatro da tarde. Tomamos uma batida no Chaplin e fomos ver “TERMINAL ISLAND”. Um filme sobre uma ilha na costa da Califórnia que servia de prisão perpétua para assassinos. Os que entravam na ilha eram considerados mortos juridicamente. O filme e sobre a vida desses assassinos que vivem em comunidade na ilha, mas são dominados por dois deles. Existem quatro mulheres para cinqüenta homens. No fim o mal triunfa sobre o mal e acabam quase todos mortos.
10/06/76 - Quinta-feira
Fomos ao Banco do Brasil, correio e telepara, e Veronique telefonou para a cunhada na Suíça. Depois fomos a um bar e voltamos para o hotel para escrever cartas. Fomos ao correio e Veronique voltou para o hotel. Eu fui ver “MANDINGO” com James Mason e Ken Norton. Mandingo era o nome que se dava nos EUA aos negros escravos que eram fortes e lutadores. No filme, Ken foi o Mandingo. E mostram a violência praticada contra os escravos e por estes também. Muito Sangue!
11/06/76 - Sexta-feira
Pela manhã fomos ao parque Rodrigues Alves. Passamos pelo Ceasa e compramos pão, alho, abacate e tangerina. No parque encontramos alguns animais soltos, construções antigas simuladas de 1903, muita vegetação e caverna. Levei um susto dentro de uma caverna e Veronique também. Eu com o flash e ela com o grito. Voltamos ao hotel e fomos escrever asneiras.
12/06/76 – Sábado
Voltamos ao parque e fizemos excursão a Amazônia. Tomamos cerveja, comemos sanduíche de salame e depois Veronique machucou o pé saltando de uma gruta. Saímos do parque as três da tarde e fomos comer peixada no Canecão. Depois voltamos ao hotel para festejar o “Dia dos Namorados” com Champagne, azeitonas e muito amor.
13/06/76 – Domingo
Veronique está com o pé machucado e não pode sair. Eu fui ao mercado fazer compras e depois passamos o tempo lendo, escrevendo, brincando e amando. Choveu. Dia de Santo Antônio.
14/06/76 - Segunda-feira
Veronique recebeu uma carta da Suíça. Seu pai avisa que já mandou dinheiro. Eu mandei carta ao Pasquim e Realidade. Passamos no banco e nada. Fomos no Canecão comer batata frita e casquinha de siri com cerveja. Depois fomos ver “A verdadeira estória de Frankenstein”. Se a verdadeira é chata, as falsas têm mais emoção. Voltamos ao Canecão para mais fritas e casquinhas. As casquinhas servem de cinzeiro depois.
15/06/76 - Terça-feira
Hoje mandei quatro cartas sobre o problema do menor: 1)Presidência da República, 2)Ministério da Previdência Social, 3)Veja e 4)Jornal do Brasil, e amanhã segue a 5)Manchete. Fomos comer batatas e casquinhas. Comprei o Jornal do Brasil que falava sobre política e a Província que falava sobre disco voador. Tarde sem importância, além do amor. A vida em Belém para turistas é para três dias, depois enche.
16/06/76 - Quarta-feira
Mandei a carta a revista Manchete e depois fomos ao Banco do Brasil. Chegou a ordem de pagamento para Veronique, mas a assinatura do gerente não confere com o arquivo do banco. Ela telefonou  para a Suíça e pediu que confirmassem por Telex. À tarde voltamos ao banco e eles tinham recebido a confirmação, só que não ficaram  satisfeitos. Mandaram um Telex ao Rio de Janeiro  pedindo confirmação do pagamento, só que não veio resposta. Veronique tornou a ligar para a Suíça e talvez tenha o dinheiro sexta-feira. Cancelamos a viagem de amanhã para Macapá e almoçamos no Canecão. O peixe ao molho de camarão estava uma porcaria.
17/06/76 - Quinta-feira
Almoçamos peixe com saladas e fritas no Canecão e depois fui ver “TRÊS DIAS DO CONDOR”, com Robert Redford. Excelente. Veronique não foi, porque estava com o pé doendo.
18/06/76 - Sexta-feira
O Banco do Brasil mostrou que burocracia é uma merda, e que eles cumprem o papel na medida. Não pagaram a Veronique. Ela terá que fazer o processo todo de novo. Eu escrevi uma estória, “A BOLA DE FOGO”, que seguiu hoje para a revista Planeta.
19/06/76 – Sábado
“A Bola de Fogo” virou “Seres de Mercúrio” e foi para Realidade. Carta também para o Pasquim. Veronique telefonou para a Suíça pedindo Travellers checks. Recebi carta de Rio Preto que diz que meu pai está muito mal. Os sanduíches de salame com creme de leite são uma delícia.
20/06/76 – Domingo
Fomos passear no Forte do Castelo e na Igreja. Veronique tirou umas fotos. Passamos no mercado e comemos peixe. Tomamos cerveja no cais e sanduíche de salame com creme de leite. Esses últimos dias tem sido de muita tensão e Veronique  está muito nervosa porque seu dinheiro não vem. Ou pelo menos não lhe pagam.
21/06/76 - Segunda-feira
Carta ao Pasquim e Pop. Depois fomos à biblioteca, que apesar de terem muitos livros antigos e mal organizada. É impossível você consultar alguma obra. Comemos uma fritada de caranguejo (nunca vi tanto). A tarde passamos dormindo.
22/06/76 - Terça-feira
Manhã excelente com café, playend, reading e shawer. O telex ainda não veio e o dinheiro também não. Recebi uma carta da Sueli dizendo um monte de asneira e escrevi outra dizendo uma montanha. Fiz loteca. Na noite passada tive um pesadelo: sonhei com Geisel.
23/06/76 - Quarta-feira
Amor. Outra loteca e passamos pelo correio. Ainda não chegou nada para Veronique e ela está muito triste com a ineficiência dos bancos brasileiros. Passamos a tarde lendo e escrevendo.
24/06/76 - Quinta-feira
Saímos pela manhã e fomos ao mercado, porque Veronique queria fazer uma comparação de preços de gêneros de primeira necessidade. Depois fomos ao supermercado e tomamos um litro de leite tipo C. Comprei também um Jornal do Brasil. Voltamos ao hotel e enquanto eu lia o jornal, Veronique adormeceu e teve um dos seus crazy dreams. Estávamos num bar e ela dormia na cadeira, apoiada na mesa, sem blusa e sem se importar com o povo e para um pregador religioso que falava “. Depois fomos ao Banco do Brasil e continuamos sendo mal atendidos pelo encarregado do Setor de câmbio. O telex de New York ainda não chegou. Voltamos ao Hotel e fui terminar de ler algumas asneiras do JB e escrever também”.
25/06/76 - Sexta-feira
O dinheiro chegou para Veronique, só que não vieram em cheques de viagem como foi pedido. E o Banco do Brasil só pagou US$ 600,00 e mais CR$ 14 mil. Procuramos trocar os cruzeiros por dólares com os turistas mas não conseguimos. Veronique comprou alguns souvenirs.
26/06/76 – Sábado
Passamos pelo mercado e fomos comprar passagem para Macapá. Barco “Soares e Filhos”. Veronique comprou 60 dólares de dois franceses a 12,00 no porto. Almoçamos no restaurante Central, um churrasco regado a vinho chateau Duvalier. Tentamos fazer negócio com um americano estúpido e não deu certo. Ela trocou mais 60 dólares no Jak’s por 14,00. Tomamos o Barco as nove da noite, mas só saímos às onze. O barco estava superlotado de mercadorias.
27/06/76 – Domingo
Viagem horrível, o barco jogou mais que a seleção de setenta. À noite paramos em Breves. A tripulação encheu a cara e nós tomamos cerveja e comemos biscoitos crackers. Nada interessante.
28/06/76 - Segunda-feira
Mais um dia terrível no barco. À tarde paramos numa serraria para deixar óleo e em outra para deixar um motor. Viajar nesses barcos é pior que pagar penitência.
29/06/76 - Terça-feira
Depois de uma noite tenebrosa, chegamos a Macapá. Fomos ao hotel Macapá Palace. Amor e dormimos pela manhã e a tarde. Macapá é bem pequena.  
30/06/76 - Quarta-feira
Como nossa missão é comprar dólares, visitamos os mais importantes e ricos comerciantes da cidade. Fomos a Santana, de onde sai o manganês para os States e não conseguimos nada. Aliás, 13 dólares a 15,00. Voltamos e fomos ao correio e havia uma carta para Veronique. A tarde fomos ao porto e vimos alguns barcos empurrando uma ilha, bem maior que a que vi em Santarém e tinha tartarugas e jacarés segundo algumas pessoas. A noite ficamos vendo canal 6 de Macapá (Globo). Uma merda!  
01/07/76 - Quinta-feira
É impossível comprar dólares aqui. Compramos jornais e palavras cruzadas para passar o tempo. Macapá e pequena e pacata, chove bastante também. A noite quando tomávamos tacacá, perguntaram se éramos hippies.  
02/07/76 - Sexta-feira
Mandei uma carta ao Estado do Pará sobre a ineficiência do Banco do Brasil. Compramos passagem para a cidade do Amapá, para amanhã, às cinco da madrugada. Veronique  comprou mais uma tanga e uma camiseta. Estivemos no forte de São José de Macapá, que é muito bonito. Levou vinte anos para ser construído por volta de 1764 a 1784. Visto do alto tem uma geometria incrível. A noite nos preparamos para viagem. Amor.
03/07/76 – Sábado
tomamos o ônibus para a cidade do Amapá e lá chegamos ao meio-dia, com chuva. A cidade é menor que uma vila, apesar de ser a Segunda em tamanho no território. O povo não é nada amigo, e os estrangeiros não podem permanecer  muito tempo na cidade por ordens do Secretário da Segurança. É impossível para estrangeiros saírem pelo Oiapoque e Veronique terá que voltar a Belém e tomar um avião, o que ela tanto temia. No Amapá não tem hotel e tivemos que dormir numa casa abandonada. Por sorte há uma pensão para comer. O padre, um italiano, gosta de conversar, mas não ajuda ninguém. Amanhã vamos voltar a Macapá de caminhão, pois o ônibus só vai à Segunda-feira.
04/07/76 – Domingo
No caminho encontramos um americano que está vivendo em Calcoenia e lá faz uma tese sobre a vida em comunidade. A viagem foi terrível. Voltamos ao mesmo hotel em Macapá, pois só tem barco amanhã.
05/07/76 - Segunda-feira
Fomos para Santana e compramos passagem no “Princesa do Mar” para Belém. Passamos o dia todo comendo e bebendo. O barco saiu às nove da noite com excesso de passageiros. Um pouco antes do barco partir de Macapá apareceram dois argentinos que nos pediram para ajuda-los a sair do Brasil. Mandei-os para uma agência de navegação que faz contrabando de gado para a Guiana Francesa, pois lá poderiam conseguir alguma coisa.
06/07/76 - Terça-feira
A noite esteve terrível e Veronique não se sentiu muito bem. Durante o dia a viagem esteve mais ou menos e quando paramos em Breves foi possível ir a um bar  tomar cerveja gelada. Houve alguns problemas com o Capitão do barco e um passageiro. Depois seguimos viagem.
07/07/76 - Quarta-feira
Depois de mais uma noite de tormenta chegamos a Belém ao meio-dia. Fomos ao mesmo hotel e conseguimos o mesmo quarto. Depois de tomar banho e lavar algumas roupas, fomos comprar a passagem de Veronique para Cayenne. Ela vai viajar na Sexta-feira à tarde. É pena, mas agora já temos a data de separação. Ela está com muito medo de viajar sozinha, pois é a primeira vez que ela viaja de avião. Mas comprei um tranqüilizante  para acalma-la.  
08/07/76 - Quinta-feira
Já que voltamos a Belém, Veronique pode mandar seus souvenirs para a Suíça. Estivemos pela manhã no correio. Depois fomos à rodoviária e comprei passagem para Brasília, pois para o Rio só tem no Domingo e até lá já quero estar no Rio. Veronique viaja às cinco e meia da tarde e eu às sete da noite. Passamos pelo Canecão para almoçar e depois voltamos para o hotel para amor, ler e escrever. E, aproxima-se rapidamente o momento da separação. Ela irá para o norte e eu para o sul, e só ficaria a promessa de um dia eu me encontrar com ela, talvez para sempre. Não só o Amazonas, como também toda a minha viagem ficará na lembrança.
09/07/76 - Sexta-feira
Pela manhã estivemos preparando a bagagem e depois fomos ao Canecão para almoçar. A tarde depois de muito amor e de um longo banho, fomos para o aeroporto. Aproveitei para deixar minha bagagem na rodoviária. No aeroporto, minha despedida era de quem estava amando e pensava não ver sua amada para sempre. Consegui não chorar, mas os olhos estavam úmidos. De pensar que um avião estaria levando-a para longe de mim, e depois um ônibus me levaria para mais longe ainda...Não, não é bom nem pensar, senão acabo chorando. Vou seguir meu caminho e quem sabe possa reencontra-la um dia. Na viagem não consegui dormir e fui pensando nos dois meses que passei com Veronique. Dois meses que eu imaginava dor e sofrimento, mas que foram de alegria, felicidade e muito amor. Veronique conseguiu, com muita paciência, me tolerar durante os dois meses em que vivemos juntos e o fez com muito carinho, com muito amor, como se já nos conhecêssemos  há anos. Eu a amei muito, mesmo nas vezes que tinha medo de ama-la por medo de nos separar. Mas eu amei e fiz tudo para compreendê-la. Agora ela já está distante de mim, e eu me distanciando cada vez mais. Mas apenas fisicamente, pois nossos corações estão muito próximos. O coração aperta a cada metro que avançamos pela estrada. Um nó me vem a garganta e sinto vontade de chorar. Choro. Choro, pois o escuro do ônibus não deixa ninguém me ver chorar. Agora é só lutar para poder ficar com ela para sempre. E para isto eu vou ter que batalhar muito, pois só assim nos reencontraremos um dia. É impossível ser feliz um ano todo. Temos apenas momentos de felicidade.
Fim


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