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AGRICULTURA ECOLÓGICA

A arte de cultivar.

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AGRICULTURA ECOLÓGICA

SOL, ÁGUA E NUTRIENTES
Existe na China um provérbio muito antigo que diz: "A Agricultura é a arte de cultivar o sol".
Esta é uma maneira diferente de se referir a um dos processos básicos responsáveis pela manutenção da vida no planeta: a fotossíntese.

 

 

 E o que é a fotossíntese?
É um processo tão presente no dia a dia da agricultura que quase não paramos para refletir na sua importância.
Todas as plantas têm a capacidade de transformar a energia da luz do sol em energia para a sua sobrevivência, bem como para a sobrevivência de todos os seres que vivem na Terra. A fotossíntese é o processo pelo qual as plantas produzem matéria orgânica a partir de substâncias que estão no ar. Para fazer isto, a parte verde da planta aproveita a energia que está na luz do sol. E como a luz do sol é um recurso natural, renovável e abundante, deve ser utilizado da maneira mais intensa possível.
- Como se pode utilizar ao máximo a luz do sol?
Para aumentar a capacidade das plantas de aproveitar a luz do sol, elas têm que ter condições ótimas de funcionamento. O que são estas condições ótimas vamos ver mais adiante. Também temos que investir na possibilidade de outras espécies trabalharem captando a energia de sol. Esta energia, captada na forma de matéria orgânica e de minerais, será colocada à disposição de nosso cultivo comercial.
- Na prática, o que é isto?
A adubação verde, por exemplo, é isto. Todas as vantagens da adubação verde têm origem na capacidade que as plantas têm de capturar energia da luz do sol.
Outro exemplo é quando deixamos que a vegetação que vem por si no nosso pomar se desenvolva. Não é preciso ter medo da competição das ervas daninhas ou inços. A partir da germinação de uma semente qualquer começa a funcionar uma verdadeira fábrica de adubo, onde o combustível é barato e abundante, e o resultado só traz riqueza. É possível aproveitar o carbono e oxigênio que estão no ar e o hidrogênio que está na água. A planta também faz parcerias com a vida que tem no solo, melhorando a absorção de nitrogênio e de outros minerais, bem como é
possível aumentar o teor de matéria orgânica do solo, etc...
- Precisa de alguma outra forma de energia?
Para que este processo aconteça, outra forma de energia que deve estar presente é a água. Nos ecossistemas onde a água e o sol chegam em grande quantidade, como é o caso no sul do Brasil, é muito importante manter o solo coberto por plantas. Elas serão as responsáveis por fazer com que esta energia gere vida e não destruição. Todos sabemos os malefícios que o sol e a chuva podem causar a um solo descoberto. Toda a forma de energia gera trabalho ou gera destruição. A energia do sol e da água pode tanto fazer nosso cultivo crescer (trabalho) quanto provocar erosão e compactação no solo (destruição). Por excelência, a planta captura a energia do sol e a da água.
- E isso basta para uma planta crescer?
Claro que não. Ela também precisa de nutrientes para o seu desenvolvimento.
Nutrientes que são encontrados no ar, na água e no solo. O que vem do ar e da água chega a ser 95-98% da planta (oxigênio, carbono, hidrogênio, nitrogênio e enxofre). Só 2-5% vêm do solo.
Estes três fatores diretos, sol, água e nutrientes formam o que se chama de trio ambiental básico. A partir destes três, há outros fatores indiretos que influenciam o desenvolvimento das plantas. Entre eles estão a latitude (se é mais ao sul ou mais ao norte do Brasil, por exemplo), a altitude (se é na baixada ou na serra), a nebulosidade, os ventos, a umidade do ar, a quantidade de ar no solo, etc...
- Como se pode aproveitar da melhor forma possível estes recursos naturais - o sol, a água e os nutrientes?
O jeito mais eficiente é tendo bastante vida no solo. Quanto mais vida, mais fertilidade. Quanto mais fertilidade, maior garantia de saúde para as plantas. E quanto mais saúde, maior produtividade.
Assim, um princípio básico em agricultura  ecológica é de que o solo é um organismo vivo. Todo o manejo que se fizer neste organismo solo tem que ser para aumentar esta vida.
Deixando o solo coberto o maior tempo possível o agricultor estará aproveitando a energia, farta e de graça, que chega na sua propriedade. Com isso pode evitar ter que recorrer à energia do petróleo, comprada na forma de adubo químico (NPK).
INDICADORES BIOLÓGICOS
A combinação dos fatores ambientais com a ação do homem determina quais as plantas (a flora) e quais os animais (a fauna) que vão existir numa área. Assim, estas espécies vegetais ou animais são indicadoras das condições daquele ambiente.
- Para que serve um indicador?
Como a própria palavra já diz, um indicador está mostrando alguma coisa. Podemos aprender a ler na natureza o que ela está querendo nos mostrar.
E ela dá várias pistas pra gente. É só querer enxergar. Algumas das pistas são as doenças e as pragas. O que elas estão indicando? Isto vamos ver mais adiante, mas, com certeza, não aparecem só porque deu vontade nelas. Outra pista são as ervas invasoras.
- Porque as ervas invasoras são, ao mesmo tempo, plantas indicadoras?
As plantas podem e devem ser vistas como um recurso natural barato e amplamente disponível para os agricultores. Tanto aquelas que são semeadas pelos agricultores quanto as que nascem espontaneamente. É necessário entendermos o papel que a vegetação "espontânea" desempenha em nosso solo, para que deixemos de enxergar um inço ou erva daninha e passemos a considerar como um recurso, que está à nossa disposição. E que, com um manejo adequado, se torna bastante útil. Em um ecossistema natural todo ser vivo, seja ele vegetal ou animal, tem um papel a desempenhar (um serviço a prestar) para a comunidade da qual faz parte. Além de, obviamente, contribuir para a manutenção de sua própria espécie.
É a análise de qual papel que determinada espécie vegetal desempenha, no nicho ecológico no qual momentaneamente está se sobressaindo, que nos leva ao conceito de plantas indicadoras. Se as encararmos como daninhas e buscarmos sua erradicação, estaremos perdendo uma preciosa fonte de informações, que nos auxiliariam nas tomadas de decisão em relação ao nosso manejo. Se, ao contrário, as vemos como indicadoras, poderemos utilizar não só as informações que ela nos trazem, como também manejarmos sua presença. Desta forma permitiremos que elas cumpram sua função para a comunidade vegetal da qual fazem parte. Na verdade, o chamado inço é apenas uma planta que desponta no local e no momento que não nos interessa. Mesmo uma planta de milho ou feijão pode se comportar como inço em algumas ocasiões. O que importa, então, não é eliminá-los, mas sim manejá-los para que apareçam em momentos que nos tragam mais benefícios do que prejuízos.
- Dá para explicar melhor a função das ervas?
Para entender bem a função que os inços têm a cumprir, é importante compreender o conceito de sucessão vegetal. Desde quando uma rocha começa a se desmanchar para se tornar solo, surge uma colonização de plantas que irá acompanhar todo o processo de "envelhecimento" deste solo, até que ele atinja seu máximo grau de desenvolvimento, quando então estará colonizado pela vegetação clímax , característica do ambiente, formando uma floresta. Durante todo este processo de "envelhecimento" do conjunto solo-planta, a colonização vegetal estará continuamente se
 modificando. As espécies de plantas irão se sucedendo umas às outras com um objetivo bem definido: permitir que a vida se instale cada vez mais neste ambiente. Cada planta, ou conjunto de plantas, além de nos informar o estágio de maturidade em que este ambiente se encontra (por isto plantas indicadoras), prepara as condições para que este processo tenha continuidade, permitindo o surgimento de outras espécies que trarão suas contribuições a esta "caminhada".
- Na prática, como é que se vê isto?
Um solo dominado por gramíneas estoloníferas como a milhã ( Digitaria sanguinalis), por exemplo, encontra-se numa fase que apresenta estrutura física deficiente, ou seja, não é um solo solto. À medida que as plantas e, especialmente, suas raízes se decompõem, há uma incorporação significativa de matéria orgânica no solo, melhoradora da estrutura. Um outro exemplo, já clássico, é o da nabiça (Raphanus raphanistrum ), que é uma erva indicadora de falta de disponibilidade de boro e manganês no solo. Ela tem uma maior capacidade de extrair estes minerais do solo, quando comparada à maioria das outras plantas. Sendo assim, seu papel na sucessão vegetal é o de tornar estes elementos disponíveis quando encerra seu ciclo, para que a sucessão possa seguir seu curso até chegar à vegetação clímax. A guanxuma (Sida rombifolia), indicadora de solo compactado e que possui uma raiz pivotante agressiva, capaz de fazer exatamente o trabalho de descompactação. Assim, as ervas ao mesmo tempo em que indicam um problema, são a própria solução natural para superar determinada situação. Dentre as muitas evidências práticas que fundamentam este conceito, uma é particularmente interessante. Quando um agricultor abandona um solo para pousio, o comum é que este esteja degradado, em maior ou menor grau. Nestas circunstâncias podemos encontrar uma vegetação dominante de, por exemplo, milhã e guanxuma. Passados três ou quatro anos deste abandono, não será mais possível ver estas duas espécies sobre o solo. Pode nos dar a impressão de que se acabaram as sementes. Porém, quando o agricultor, depois de 10, 15 ou 30 anos, voltar a cultivar este solo, usando práticas como fogo e aração, em 2 ou 3 anos, a guanxuma e a milhã voltam a predominar. Em outras palavras, uma determinada espécie não depende da quantidade de sementes que têm no solo para aparecer com maior ou menor intensidade.
- Então, como é que fica a capina?
São os fatores do solo e do clima (fatores edafoclimáticos) que determinam qual espécie irá predominar naquele momento. O solo possui um banco de sementes e são as condições de umidade, vento, luminosidade, disponibilidade de nutrientes, etc, que irão propiciar o surgimento desta ou daquela espécie. É impossível que o agricultor consiga atingir seu objetivo de deixar sua lavoura limpa ou "desinçada". Solo que não vem vegetação é um deserto e isto nós não queremos para nossas terras. À medida em que tentamos limpar a terra estamos, na verdade, impedindo que o solo avance em seu processo de sucessão vegetal e, com isto, dando as condições necessárias para que plantas cada vez mais difíceis de serem manejadas apareçam.
Afinal, a forma que a natureza tem de se proteger de nossas agressões ao solo é colocar plantas cada vez mais difíceis de serem erradicadas. Se capinarmos insistentemente um solo onde aparecem predominantemente beldroegas, irão aparecer guanxumas. Se seguirmos com um manejo de eliminar as plantas, possivelmente aparecerá milhã. Sempre vem uma planta com maior capacidade de proteger o solo, e conseqüentemente, mais difícil de ser erradicada. Além destas vantagens específicas e que dizem respeito ao papel que a planta tem a desempenhar na sucessão vegetal, todas as plantas têm capacidade de aproveitar parte da energia do sol e da chuva que caem em nossa terra, ou em nosso agroecossistema. Assim, se um "inço", em determinado momento e local não está competindo com a cultura, e ainda auxilia no aproveitamento da energia que incide gratuitamente em nossas terras, estamos tendo mais benefícios do que prejuízos com sua presença e não há porque pensar na sua erradicação. Portanto o controle das ervas é feito não por sua eliminação sistemática por meios mecânicos, mas sim através das mudanças na qualidade do ambiente - no caso o solo - que propiciam o aparecimento de espécies menos agressivas e menos competidoras com a cultura comercial. Já tem gente estudando o que as plantas são capazes de nos dizer a respeito do solo aonde aparecem.

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